Não se ouve. Não parte nada. Só passa ao lado.
A indiferença é medonha porque não grita. Não bate portas. Não ameaça. Apenas retira presença. E chega em silêncio.
A raiva ainda reconhece o outro. Discute, reage, acusa.
A indiferença faz pior: apaga. Transforma em ruído de fundo. Em paisagem.
Vivemos a elogiar o distanciamento. A arte moderna de passar ao lado sem peso na consciência.
A indiferença começa em pequeno formato. Depois cresce. E quando damos conta, já há injustiças inteiras a acontecer diante de reações serenas.
O contrário do amor não é o ódio. É o desinteresse. Porque onde nada nos toca, nada nos move.
A indiferença é medonha por isso: não destrói de imediato. Corrói lentamente a ideia de comunidade, até sobrar apenas gente lado a lado, profundamente sozinha.
A indiferença é medonha.
A indiferença é medonha porque não grita. Não bate portas. Não ameaça. Apenas retira presença. E chega em silêncio.
