A satisfação tem boa fama, mas não devia. O problema não é ela.
É quando se instala.
Ficar satisfeito é fechar a porta.
É dizer: “já chega”.
E, quase sempre, ainda não chegou.
A felicidade, pelo contrário, não precisa de conclusão.
Acontece no meio. Enquanto fazemos, tentamos, falhamos, voltamos. É um estado em movimento.
Podemos ser felizes e, ao mesmo tempo, recusar a satisfação.
Porque há uma diferença entre apreciar o que temos e acomodar-nos a isso.
A satisfação prolongada adormece.
Tira arestas.
Baixa o nível de exigência. Sem darmos por isso.
E, devagar, começamos a viver abaixo daquilo que podíamos.
Não é falta de capacidade. É excesso de conforto.
E o equilíbrio está em saber parar para sentir que está bem.
Mas nunca parar o suficiente para achar que está feito.
Felizes, sim.
Mas com uma pequena inquietação sempre acesa. Só o suficiente para não ficarmos iguais.
Feliz, sim. Satisfeita, nunca.
A satisfação tem boa fama, mas não devia.
