MARIA CLEMENTINA ®

Escrevo para pôr ordem no barulho e desarrumar as certezas.

Feliz, sim. Satisfeita, nunca.

A satisfação tem boa fama, mas não devia.

A satisfação tem boa fama, mas não devia. O problema não é ela.
É quando se instala.

Ficar satisfeito é fechar a porta.
É dizer: “já chega”.
E, quase sempre, ainda não chegou.

A felicidade, pelo contrário, não precisa de conclusão.
Acontece no meio. Enquanto fazemos, tentamos, falhamos, voltamos. É um estado em movimento.

Podemos ser felizes e, ao mesmo tempo, recusar a satisfação.

Porque há uma diferença entre apreciar o que temos e acomodar-nos a isso.

A satisfação prolongada adormece.
Tira arestas.
Baixa o nível de exigência. Sem darmos por isso.

E, devagar, começamos a viver abaixo daquilo que podíamos.
Não é falta de capacidade. É excesso de conforto.

E o equilíbrio está em saber parar para sentir que está bem.
Mas nunca parar o suficiente para achar que está feito.

Felizes, sim.
Mas com uma pequena inquietação sempre acesa. Só o suficiente para não ficarmos iguais.

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