MARIA CLEMENTINA ®

Escrevo para pôr ordem no barulho e desarrumar as certezas.

Lembras-te quando querias o que tens hoje?

O que antes parecia longe, hoje passa despercebido. Os desejos apagam-se quando se cumprem. Não mudam assim tanto. Muda o olhar.

Provavelmente não.

Não porque não tenha sido importante, mas porque simplesmente deixou de ser.

O que antes parecia longe, hoje passa despercebido.
Os desejos apagam-se quando se cumprem. Não mudam assim tanto. Muda o olhar.

E, por vezes, voltamos a sentir falta. Não do que não temos, mas da atenção que lhe dávamos.

E não deixa de ser irónico. O que hoje ignoramos foi, nalgum momento, suficiente para nos entusiasmar.
E não deixou de ser.
Nós é que deixámos de reparar.

E não é preciso mais. É preciso ver melhor.
Porque o que antes era fundamental, passou a ser paisagem.

Aquilo que ocupava a cabeça, deixou de ser notado.
Por hábito.

A cabeça não foi feita para manter conquistas. Foi feita para procurar as próximas.

E isso faz-nos correr atrás de coisas que, quando chegam, deixam de contar.

Não estamos em falta.
Estamos apenas habituados demais.

Porque o momento em que já estamos onde queríamos estar, aproxima-se.
E é exatamente aí que deixamos de olhar.

0