MARIA CLEMENTINA ®

Escrevo para pôr ordem no barulho e desarrumar as certezas.

Não és assim tão importante. Não está tudo a olhar para ti. Faz, apenas.

Nunca fomos tão visíveis e, ao mesmo tempo, tão reféns da ideia de sermos vistos. Tudo nos empurra para uma versão melhorada de nós mesmos.

Gosto de reconhecer a nossa própria pequenez.

Não somos o centro. Não estamos sob holofotes. Nem há um júri afiado a pontuar cada palavra que dizemos.

Não, não está tudo a olhar para nós. E isto é o início de qualquer coisa.

Nunca fomos tão visíveis e, ao mesmo tempo, tão reféns da ideia de sermos vistos. Tudo nos empurra para uma versão melhorada de nós mesmos.

Fazemos pouco porque temos medo de fazer mal.

Começamos pouco porque tememos não impressionar.

Engavetamos ideias. Atrasamos decisões. Adiamos movimentos. À espera d´o momento que talvez nunca venha. Acreditamos que há sempre alguém a assistir. Mas ninguém está a olhar. Cada um está ocupado consigo. Naquilo que também quer projectar.



E porque não somos assim tão importantes, não está tudo a olhar para nós. Temos de fazer, apenas. Que nos saia o peso inútil, o da expectativa dos outros.

Fazer não é sinónimo de agir sem pensar. É aprender ao caminhar, testar ao errar, afinar ao repetir. E nunca estamos prontos o suficiente. Porque a cautela nunca desapareçe por completo. Mas não precisamos que desapareça. Só precisamos de fazer mesmo assim.

É no fazer que descobrimos o que realmente importa. A ideia pode não resistir ao primeiro rascunho. O plano pode ser desfeito por uma contingência banal. Mas só quando fazemos é que descobrimos. O pensamento sem acção é um quarto escuro onde tudo parece assustador porque não viu a luz do dia.

Não haja pressa. Haja leveza. A leveza de quem esquece o olhar dos outros e encontra o próprio ritmo.

É isso que importa. Tirarmos o peso dos ombros, ganharmos duas mãos livres e construir. Experimentar. Corrigir. E começar de novo.

Faremos, apenas. E veremos o que acontece.

0