MARIA CLEMENTINA ®

Escrevo para pôr ordem no barulho e desarrumar as certezas.

A maioria das pessoas responde às críticas com palavras.

Outros, respondem com resultados.

Adoramos ouvir explicações, mas só respeitamos demonstrações. Em boa verdade, as respostas não precisam de microfone.

Atualmente, qualquer opinião ganha volume antes de um facto sequer ter tempo para acontecer. As críticas multiplicam-se. As análises distribuem-se. As sentenças são proferidas em tempo real. 

Constroem-se narrativas inteiras enquanto ainda estamos a provar que continuamos a ser capazes.

E a resposta mais imediata do ser humano é quase sempre verbal.

Explicamos. Justificamos. Defendemos. Argumentamos. Procuramos convencer quem duvida de nós.

Mas há outra linguagem. Muito mais certeira. Os resultados.

 

Os resultados não discutem. Não fazem conferências de imprensa. Não precisam de convencer ninguém porque chegam sempre depois da dúvida e ocupam o espaço onde antes existia julgamento.

Mostram que há coisas que vão mesmo além.

Quando alguém constrói a sua identidade em torno da excelência, a melhor resposta às críticas nunca são as palavras. É aparecer. É executar. É fazer aquilo em que já ninguém acredita ser possível.

 

Porque há uma diferença enorme entre querer provar que os outros estão errados e querer continuar a ser fiel ao próprio padrão. A primeira nasce da necessidade de aprovação. A segunda nasce da disciplina.

Quem vive para responder aos outros fica preso aos outros. Cada crítica torna-se uma espécie de comando à distância. Falam e nós reagimos. Mas quando respondemos com resultados, a dinâmica muda. Deixamos de estar numa conversa e passamos a estar numa construção.

O mundo está cheio de pessoas capazes de explicar porque não conseguimos. Também está cheio de pessoas que têm sempre uma opinião sobre a capacidade dos outros. Difícil é encontrar aqueles que aceitam o desafio de deixar o trabalho falar por eles.

Parte ingrata, esta, a da excelência. É que ela não se mantém apenas com talento. O talento abre portas, mas a consistência é aquilo que impede que elas se fechem. O hábito de exigir de si próprio aquilo que os outros já deixaram de esperar.

 

Há atletas, artistas, empresários, cientistas e pessoas comuns que vivem exatamente este conflito. Em determinado momento, deixam de ser avaliados apenas pelo que fazem e passam a ser avaliados pela imagem que os outros construíram deles.

 

Quando alguém chega muito longe, paradoxalmente, deixa de ter apenas admiradores. Passa também a ter espectadores à espera da queda. A história humana tem esta estranha tendência. Quanto maior é o palco, mais pessoas aparecem para dizer que o espetáculo acabou.

 

Mas há quem responda de uma forma desconcertante. Diferente da raiva e dos discursos.

Há quem responda com trabalho. E o resultado é fascinante porque não depende da opinião de quem observa.

Um resultado continua a ser um resultado. Pode ser contextualizado, analisado, comparado. Mas existe.

E existir é uma vantagem enorme num mundo cheio de opiniões.

 

Deixemos que o resultado faça aquilo que as palavras muitas vezes tentam fazer: Ocupar o lugar da dúvida.

📸 Flaivo.in

 

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