Vivemos num tempo em que tudo tem de ser actualizado. A imagem, o discurso, a forma de estar. Como se existir implicasse uma revisão constante.
Mas ele não.
Entramos no carro e está tudo igual. A boina, o rádio alto, a forma como conduz. Sem necessidade de provar nada.
Não há tentativa de parecer moderno.
Nem esforço para acompanhar.
E é engraçado, nada ali parece ultrapassado. Parece equilibrado, diria.
Talvez porque a maior parte do que mudamos não é evolução.
É mais adaptação.
Mudamos para não ficar para trás.
Para não destoar.
Para não sermos lidos como antigos.
Mas, no meio disso, perdemos o mais importante. O critério.
A boina do taxista da minha vila não é um acessório. É um sinal de que nem tudo precisa de ser melhorado. Que há coisas que podem simplesmente permanecer.
E isso desconcerta. Sem dúvida. Porque o mundo está obcecado com a próxima versão. E o taxista da minha vila ainda está funcional na actual.
Sem pressa de actualizar a própria identidade.
O taxista da minha vila ainda anda de boina.
Não é estilo. Nem tradição. Anda porque nunca precisou de deixar de andar.
