Complica apenas porque ainda não começou. Porque antes da acção, tudo é pesado. Denso. Cheio de variáveis. Riscos. Cenários paralelos. A imaginação não simplifica. Multiplica.
Imaginamos conversas que nunca acontecem. Falhas que nunca chegam. Julgamentos que ninguém fez. E, no meio disso tudo, cansamo-nos… sem ter feito nada.
Viver, pelo contrário, é surpreendentemente simples.
Não no sentido leve. Mas simples no mecanismo. Faz-se uma coisa de cada vez. Um passo não contém o seguinte. Um gesto não exige o plano inteiro.
A vida, quando é vivida, não pede planos. Só a nossa presença. E isso é quase rudimentar.
É na imaginação que tentamos controlar tudo. Como se fosse uma forma de evitar o erro. A imaginação é um lugar sem atrito. Confortável, diria, mas estéril.
E viver implica fricção.
Nada nos acontece verdadeiramente enquanto estamos a pensar naquilo que podia acontecer.
E talvez seja isso. A dificuldade não está na vida. Está na distância que criamos dela.
Quanto mais pensamos antes de tempo, mais difícil parece. Quanto mais vivemos, menos sobra para complicar.
A vida não é um problema para resolver. É um movimento para acompanhar.
Tenho a ideia que a vida é muito mais fácil quando se vive do que quando se imagina.
Imaginamos conversas que nunca acontecem. Falhas que nunca chegam. Julgamentos que ninguém fez. E, no meio disso tudo, cansamo-nos… sem ter feito nada.
