Sem post it colado no espelho da casa de banho.
Tem de ser uma decisão. Banal. Repetida todos os dias. Não ficar à espera que a vida apareça embrulhada em papel de presente.
Nunca aparece assim.
A vida chega despenteada. E tantas vezes inconveniente. Chega quando ainda temos os olhos meio fechados e o café a arrefecer. Chega no meio de um dia mau. De uma semana torta. De um ano que não correu como queríamos.
Estamos prontos? Não estamos. Nunca estamos.
A nossa versão que está sempre a preparar-se para começar é a versão que nunca começa.
Conhecemos essa versão. Toda a gente conhece. É aquela que pesquisa mais um curso antes de lançar o projeto. Que espera pelo janeiro ideal. Pelo humor certo. Pela semana sem imprevistos. Que lê mais um livro sobre produtividade em vez de produzir. Que planeia a viagem sem comprar o bilhete.
E o tempo passa. Não é dramático. Mas a vida passa em fatias finas. Passa enquanto esperamos.
Acordar não é abrir os olhos. É percebermos que o único momento que temos é este. É agora. Sempre agora. E agora não é uma janela de oportunidade. É a única janela que existe.
Fazer só nos exige que paremos de pedir permissão ao medo. Que contemos menos com a inspiração, hóspede irregular e pouco fiável, e contemos mais com a disciplina. E viver, viver a sério. Não a versão que passamos anos a construir para nada correr mal.
É só pragmatismo. Brutal. Porque o tempo não volta. Os dias não se recuperam e o arrependimento de não ter vivido pesa muito mais do que qualquer falhanço.
VIVER conjuga-se todos os dias. No presente. Com o que temos. Onde estamos.
Por isso, sem grandes ponderações, vamos embora.
📸 Turtle Bay, Woody Brown Surfer at 89
