É preciso muito tempo para aprendermos a ser breves.
Porque a verdadeira brevidade não nasce da falta. Nasce da escolha.
Porque a verdadeira brevidade não nasce da falta. Nasce da escolha.
Num tempo em que os adultos discutem, os nossos miúdos estão preocupados com coisas muito mais importantes.
Não ficar à espera que a vida apareça embrulhada em papel de presente. Porque ela nunca aparece assim.
Não é sobre acrescentar lugares. Mas retirar velocidade. Ficar mais tempo. Repetir o mesmo café. Reconhecer pessoas.
O corpo responde à água. À mudança de temperatura. Ao embate. A cabeça acompanha. E tudo o resto pára. Depois, o alívio.
Este barulho não nos incomoda porque fazemos parte dele. E devia ser exatamente por isso que nos devia incomodar mais.
Esta não é uma saudade dos anos 90. Mas da leveza que era não sermos interrompidos.
Há sempre uma pergunta por responder, uma ideia por explorar, um lugar por descobrir ou uma emoção por digerir.
Olhando para o Tarrafal, a pobreza não está ali. Falta-lhes dinheiro, é certo. Mas a nós, falta-nos tudo o resto.
Mas achamos que estratégia é fazer mais. Fazer melhor. Fazer tudo.
O cancro nasce de dentro. Do próprio corpo. Das mesmas engrenagens que nos mantêm vivos. E é por isso que não se vai embora.
Temos pressa para tudo.