MARIA CLEMENTINA ®

Escrevo para pôr ordem no barulho e desarrumar as certezas.

Quem tem alma, não tem calma.

Há sempre uma pergunta por responder, uma ideia por explorar, um lugar por descobrir ou uma emoção por digerir.

E o desejo de conforto mata a paixão da alma.

A paixão não desaparece de repente. Vai sendo trocada.
Por dias mais fáceis. Decisões mais seguras. Caminhos mais previsíveis.

E tudo parece fazer sentido. Menos risco. Menos erro. Menos desconforto. Menos vida.
O conforto é eficiente. Organiza. Protege. Estabiliza. Só não cria nada.

Porque a paixão precisa de fricção. De dúvida. De instabilidade. Precisa de espaço para falhar. E o conforto não tolera falhas.

Por isso, sem darmos conta, começamos a escolher o que não nos mexe. O que não nos exige. O que não nos incomoda. E a alma adapta-se. Não morre.
Mas deixa de arder.

O problema não é querermos conforto. É querermos demasiado. Porque a partir de certo ponto, o que nos protege… também nos apaga.

📸Comino London Ltd

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