Eles querem tudo agora. A geração Alfa. A Beta. A geração Z. Sei lá que mais nomes lhes chamam.
Querem emprego antes da experiência. Salário antes do esforço. Resultados antes do processo.
Cresceram com o swipe e o like como medidas de resposta.
O tempo que demora a carregar um vídeo impacienta. Demorar a perceber uma tarefa está perto da tortura. Falar em dez anos de carreira parece-lhes uma vida inteira.
Não estão dispostos a sacrificar a vida pelo trabalho. Querem tempo para viver. Tempo para desligar. E se não tiverem isso, não ficam.
O equilíbrio deixou de ser prémio. Passou a ser condição. Não é que não queiram trabalhar. Querem. Mas querem saber para quê.
Não é que não queiram aprender. Querem. Mas querem saber se vai servir. E de preferência, que sirva já.
São a geração do imediato.
Não conhecem o intervalo entre o pedido e a resposta. Não têm memória de escassez, nem hábitos de espera. Vivem entre notificações e recompensas instantâneas.
Se não acontece já, não vai acontecer nunca.
Falam com naturalidade de propósito e equilíbrio como quem fala de pão com manteiga.
Trocam estabilidade por liberdade.
Desconfiam da palavra carreira e torcem o nariz à empresa onde se entra para ficar.
Querem projectos, experiências, mobilidade. E querem tudo isso sem esperar.
E nós, que aprendemos a separar vida pessoal de vida profissional com linhas grossas, ficamos a vê-los exigir o tal equilíbrio como se fosse óbvio. Porque para eles é.
Nós, que demorámos, que engolimos sapos, que acumulámos horas até chegar lá, olhamos para esta pressa com um misto de espanto e irritação. Como se o mundo devesse obedecer à mesma cadência que conhecemos.
Mas o mundo já não é o mesmo. E talvez eles tenham razão.
O problema não está na velocidade. Está na superficialidade.
Querem tudo tão depressa que não ficam tempo suficiente em nada para saber se gostam, se são bons, se podem melhorar.
Saltam. Sempre a saltar. Da universidade à especialização. Do estágio ao projecto. Do entusiasmo à frustração em três scrolls.
É fácil criticá-los. Difícil é acompanhá-los. Porque eles já perceberam que o tempo é a nova moeda. E nós ainda estamos a pagar em horas extraordinárias.
